Alma Tropeira

Ser tão paulistana é escolher. E aqui, como em outros lugares, não se pode ter tudo. Não se pode ver todos os espetáculos, nem assistir todos os shows, ou encarar todas as danças, ir a todos botecos. Embora dê vontade, a demanda é sempre maior. Talvez seja por isso que, por aqui, a gente aprende logo que algo sempre fica pra trás, que o jeito é ir pra frente, passar por cima mesmo, do jeito que for, engravatado ou de salto alto para quando os negócios não puderem parar.




Na sexta-feira passada (já tem uma semana!) eu escolhi deixar de ver a Banda Black Rio, que faria uma apresentação no Pompéia, para seguir caminho até o Villaggio Café - o café mais musical do Bixiga. Escolhi trocar uma boa mistura de funk, samba, jazz e ritmos brasileiros, pelo repertório caipira do Cláudio Lacerda. Ele havia prometido que seria uma noite animada, e eu encarei, meio com o pé atrás, porque Tristeza do Jeca era o tipo de música que, honestamente, minha alma não estava afim. Ainda bem que o caipira não é triste o tempo todo, porque assim o "homi" pôde cumprir com sua palavra, e em vez de deixar minha alma apenas lavada, ele também a deixou pra lá de tropeira.


Lá pelas tantas ele disse que era muito bom tocar na companhia de amigos, e arriscou uma poesia de Catulo da Paixão Cearense. Foi quando o café mais musical do Bixiga se tornou o retrato mais fiel do sertão. É que ninguém pode ser alegre o tempo todo. Foram 10 minutos em declamação, e muita gente achou pesado. Mas também a vida não é leveza todo o tempo, o que, para mim, deixou tudo bem adequado, e emocionante.


Eu sempre achei que só pode ser extremamente alegre quem chega ao extremo da tristeza, porque só dá pra sentir o oposto sabor da alegria sabendo o gosto de estar triste. E talvez seja por isso, pela alternância da alma lavada, da alma caipira e da alma tropeira que eu tenha achado este, o melhor show que eu vi do Cláudio, em que o homem e o músico estavam em plena sintonia. Tá, eu sou amiga, eu sou suspeita. Mas que foi lindo, isso foi. Uai!

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Villaggio Café - Praça Dom Orione, 298. Bixiga. (11) 32513730. Nomes que já passaram por lá: Zeca Baleiro, Aldir Blanc, Guinga, e muitos outros.



5 comentários:

  1. Zé Luiz Soares disse...:

    ô, Fernanda, obrigado pelo texto e pelos elogios - na parte que nos cabe.

    Realmente, o show (ou concerto, como diria Elomar) foi muito bonito, e o Cláudio está de parabéns.

    Volte sempre.

    bjs
    Zé Luiz (do Villaggio)

  1. José Maria disse...:

    ô Zé Luiz, para nós que gostamos de ser bem recebidos, ficar à vontade, conversar com os amigos, rir e ainda ouvir música ao vivo de qualidade o Villaggio é um dos cantinhos privilegiados do nosso Sertão Paulistano. Uma cobrança: aguardamos os seus "causos" da noite paulistana.
    Grande abraço

  1. Joca disse...:

    Acertou em cheio Fernandinha: é preciso ir fundo na alegria e na tristeza. A experiencia se completa! parabens pelo texto!

  1. É Zé Luiz, como o Zé Maria disse, é bom a gente se sentir em casa quando a gente está no Villaggio.
    Abraço procê!

    E Joca, que cada um se complete então, entre lá e cá, cá e lá, sorrindo ou chorando, vivendo...
    Beijo procê!

  1. Zé Luiz Soares disse...:

    Amigos do Ser-T�o;

    nesta sexta, 14/09, tem o Cl�udio Lacerda de novo no Villaggio.

    Se puderem aparecer e/ou divulgar, ser� �timo.

    abra�os.

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