Ser-Tão Maio de 68.


Eu estava no Era na Bronca, porque sem bronca alguma, o blog de lá citou o blog de cá. Oba. Vi o link através do E-Reference que instalei na barra lateral, lá pro fim dela, sob o conceito de Calle del Ser-Tão. Calle de rua. Rua das Flores. Para saber de onde o pessoal veio, antes de chegar até aqui.

Lá no Na Bronca, uma ida ao maio de 40 anos atrás. E é só olhar por aí que chovem notícias sobre. É? Hum. Estávamos na Praça do Relógio (USP), quando eu e minha prima recém hotdogadas (sim, na USP tem o melhor Cachorro Quente da cidade!) fomos interpeladas pela repórter sobre maio de 68. Aquele microfone na cara:

- E você, o que você lembra de maio de 68?
- Hein?

De repente, o pânico. Meu cérebro se povoa de informações, sobre uma história do mundo, história do Brasil. E as datas se atropelam num nada com nada... 45, 64... 68? O que terá havido em 68?

- Não faço idéia. Desculpe mas não faço idéia. Sou uma pessoa descontextualizada. Eu não sei, tá? Não sei, simplesmente não sei. Agora se a senhora puder largar meu braço, deixar-me ir a ignorância porque eu já cansei de pagar tamanho mico... se a senhora puder... Está gravando? Ai meu deus, agora todo mundo sabe que eu nada sei. Você viu, até com os números eu me atrapalhei. Ia falar 64, falei 45, mas 68? Já disse que não sei. Ou o professor pulou essa aula lá na escola eu faltei, porque, veja bem, não tenho a menor idéia, nasci em 76, não sei se a senhora percebeu, como é que eu posso me lembrar? Só que 6 + 8 são 14.

Então ela foi contando:

- A minissaia. A mulher de hoje só é o que é por conta da revolução da minissaia.

- Hum. Tô sacando, dona. Foi o ano da liberação sexual, do feminismo mais arraigado, do é proibido proibir. Ah, começou na França, é? Bom saber. Greve estudantil? Ah, por isso que estamos aqui na Praça do Relógio, os estudantes universitários de Sorbornne, os estudantes universitários da USP, e por aí vai. Conte mais, dona. Conte mais...

- Daniel Cohn-Bendit organizou um protesto na universidade em Nanterre, perto de Paris, para que estudantes de ambos os sexos passassem a freqüentar o mesmo dormitório...

- Ele queria trepar, dona? Tudo isso porque um franco-alemão queria trepar? E por isso o cara e os amigos deles quase derrubaram o governo? Páre de tomar a pílula. Páre de tomar a pílula. Páre de tomar a pílula... To achando que depois da Guerra Mundial a patota de 18 a 25 anos ficou entediada, dona. E quiseram buscar novas formas de expressão. Rolling Stones, minissaias, pornografia e comunismo universitário.

- No Brasil foi a vez da Tropicália...

- E a efervescência estava nos festivais. A ditadura engrossava o chumbo. Caetano Veloso e os Mutantes conclamavam "É proibido proibir", e dois nomes hoje institucionalizados da música brasileira, Chico Buarque e Tom Jobim, eram vaiados porque sua "Sabiá" era escolhida pelo júri do Festival de 68 em detrimento da engajada "Pra não dizer que não falei de flores", de Geraldo Vandré. Tudo isso num eterno maio de 68, estendido até o fim do ano com o AI5? É, dona, a rapadura não foi mole não.

É claro que chegando em casa eu fui entender o tal do maio de 1968. No Brasil, no mundo afora, via google. E como os assuntos ficaram correlatos, o texto Na Bronca está bem bacana, e tem estes outros links aqui:

- Maio de 1968 (série de reportagens e entrevistas com personalidades que vivenciaram o maio de 68: Zuenir Ventura, Fernando Henrique Cardoso, Zé Celso Martinez, Ziraldo, Heloisa Buarque de Holanda e mais 1968 por quem esteve lá).

- E do não tão esplêndido G1: cinema, moda, música, FHC e Vladimir Palmeira.

... tudo isso porque ser-tão paulistano é entender um pouco de onde viemos... e quem sabe numa próxima eu não pague mico tão alto em rede nacional!



3 comentários:

  1. joca disse...:

    Senhora Editora Chefa!
    Quando vi o título desse artigo, pensei que o Zé Maria fosse o autor! He! He! Pruquê pensei nele? Ora, ora! ingano meu, p Zé era um meninote naqueles tempos idos, andava de estilingue a tiracolo e devia ser uma terrível ameaça para as janelas da vizinhança! Eu, de minha parte, era só um moleque de roça, andando descalço e tentando acertar passarinhos com estilingue - felismente, minha pontaria era péssima e não contribuí muito para abater as pobres aves. Em minha casa lá na roça, as fontes de informação chegavam via "A Voz do Brasil", imagine só! Mini-saias eram raras, nós moleques fazíamos um tremendo esforço para vislumbrar um pedaço de côxa das moçoilas. E, afinal, cá estamos. Tom Zé, verdadeiro pai da Tropicália, por pouco não se aposentou como frentista de posto de gasolina.. contudo, sobrevivemos, enfim!

  1. José Maria disse...:

    ô Joca, para evocar a época parece ter havido uma sútil censura. Precaveu-se, talvez, a Fernanda de um texto "saudosista e melancólico".Poderes de Editora Chefe . Acho que depois deste comentário...adeus, foi um prazer trabalhar com vocês.Grande Abraço.

  1. joca disse...:

    Oxi! Que é isto, amigo Zé? QUe dizeres de despedida e adeuses que é isso? Pois que vai ser desse ser-tão? Tu és nosso Guru, aquele que manda-prender-e-soltar....

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