Elpídio dos Santos

“A dor da saudade, Quem é que não tem, Olhando o passado
Quem é que não sente, Saudade de alguém...”
(Elpídio dos Santos – A dor da saudade)


É impossível passar setembro e não prestarmos homenagem a Elpídio dos Santos (14.01.1909 – 03.09.1970), São Luiz do Paraitinga bem sabe. E tanto sabe que instituiu a Semana Elpídio dos Santos, que acontece todos os anos, desde 2003.

Semana Elpídio dos Santos


Realizada anualmente em São Luiz do Paraitinga, no Vale do Paraíba, a Semana Elpídio dos Santos, comemorada sempre na primeira semana de setembro, foi instituída através de Projeto de Lei e organizada pelo Instituto Elpídio dos Santos, que tem como objetivo divulgar as obras musicais da região do Vale do Paraíba, em especial a produção artística de Elpídio dos Santos, com mais de 1 mil composições catalogadas.
“Como alguns sabem e outros não, foi no dia 3 de setembro de 1970 que Elpídio faleceu, e por isso a câmara municipal dos vereadores de São Luiz oficializou a semana do dia 3 como Semana Elpídio dos Santos.” Em 2009, o folder conta com os dizeres da Vó Nira para Elpídio: "Para te dizer bem de perto o quanto te amo! Cinira". (Blog Paranga)

Criadores do Instituto Elpídio dos Santos, os 7 filhos do artista e a esposa são os grandes incentivadores e divulgadores da cultura e do legado dele. Atualmente todo arquivo fonográfico e material de Elpídio encontra-se na casa da viúva, Dona Cinira. Assim como o pai, todos os filhos e parte dos netos de Elpídio desenvolveram o dom artístico, seja com os instrumentos ou com a voz. É o caso do grupo Paranga, formado há mais de 20 anos, pelos filhos dele.

Elpídio, um pouco de história:
(por Luiz Egypto, Muzeu Mazaroppi)

Elpídio dos Santos nasceu em São Luiz do Paraitinga, em 14 de janeiro de 1909. Seu pai, Benedito Alves, era maestro da Banda Santa Cecília, na mesma cidade. Foi nesse ambiente saudavelmente contaminado pela música, que Elpídio dos Santos passou a infância e começou a descobrir o gosto pelas harmonias, ritmos e melodias.

Passou em São Luiz do Paraitinga a adolescência e a primeira juventude. Trabalhou como apontador de jogo do bicho, foi funcionário de cartório e, mais tarde, ingressou na agência local no antigo Banco Vale do Paraíba. Mas a música já estava definitivamente incorporada em sua vida. Cedo elegeu o violão como seu instrumento preferido, embora tocasse com destreza todos os instrumentos de corda e de sopro.

Nessa época já era querido na cidade, por seu bom coração e pela qualidade de suas composições. Suas músicas eram executadas pelo coro da Igreja Matriz, nas escolas em que também foi professor, pelas bandas, nos teatros e nas reuniões sociais.

À São Luiz do Paraitinga que inspirou seu talento, retribuiu com sua poesia e uma obra musical da melhor qualidade. Foi nessa cidade que conheceu Mazzaropi, então um ilustre desconhecido que viera se apresentar em um circo. Depois do primeiro espetáculo, Elpídio dos Santos tocou violão a noite toda e, a partir dali, ficaram amigos até a morte. Quando Mazzaropi começou a produzir seus filmes, chamou Elpídio para encarregar-se das trilhas sonoras.

Elpídio se casou com Cinira Pereira dos Santos e transferiu-se para São Paulo, convocado pelo banco que agora se denominava Banco Novo Mundo. Apesar de trabalhar em período integral, não parou de compor nem de dar aulas de violão. Em São Paulo, ainda teve tempo de estudar na Escola Paulista de Canto Orfeônico.

Elpídio faleceu em 3 de setembro de 1970, deixando mais de mil composições – todas catalogadas e preservadas pela família.

Além de Mazzaropi, parte de sua obra foi gravada por mais de 50 cantores consagrados no seu tempo, como Cascatinha e Inhana, Titulares do Ritmo, Elza Laranjeira, Irmãs Galvão, Dircinha Costa, Tonico e Tinoco, Nonô e Naná, Duo Brasil Moreno. Mas recentemente gravaram músicas suas Fafá de Belém, Sérgio Reis, Almir Sater, Pena Branca e Xavantinho, Vanusa, Dercio Marques, Mato Grosso e Matias, entre outros.

“Na casa de Benedito, o Mestre Dito, e de dona Ditinha, dois beneditos caipiras, Elpídio dos Santos nasceu em meio ao entra-e-sai dos ensaios da banda. Sim, a Banda de Santa Cecília ensaiava na casa deles. A data é 14 de janeiro de 1909: início de uma infância educada nos segredos do andamento, no gosto pelas harmonias, ritmos e melodias.” (leia mais em A banda da banda de lá, de Luiz Egypto de Cerqueira)

De Elpídio a Negão, dos Santos


"O Negão, filho do Elpídio ... ah! início dos anos oitenta! O Negão ao lado do Pio, Nena e Parê, seus irmãos, criou o Paranga (o carinhoso nome de São Luiz do Paraitinga), aquele grupo que cantava e tocava as músicas da sua cidade e de um certo compositor de lá, misturando influências do rock, MPB, das bandas (bandas eram Corporações Musicais, celeiro de grandes músicos, que se apresentavam principalmente nos Coretos, acima citado, enquanto as pessoas passeavam ao redor) que passaram a fazer parte da chamada Vanguarda Paulistana e que tinha no Lira Paulistana o seu palco principal ... ah! ... o pequeno teatro em frente à Praça Benedito Calixto ... Fernanda você falou alguma coisa?... ah! quê - “por favor volte a falar de Elpídio dos Santos”? ... voltemos ... O Negão, filho do Elpídio, conta que seu pai recebia o telefonema de Mazzaroppi, que fazia o pedido e informava se era para uma cena ou tema do filme. Então mandava os filhos dormirem, pegava o violão e no outro dia de manhã música e letra estavam prontas." (Leia mais: De Elpídio a Negão, dos Santos).

De André Luiz Mazzaropi, o filho do Jeca


"Só um grande homem; um grande poeta e um grande musico podia ter a coragem de falar, contar e cantar sua cidade como Elpidio dos Santos fez.Ali Compreendi o que Mazzaropi queria dizer quando falava que o segredo do seu sucesso era falar a língua de seu povo.

Talvez neste momento, não saberia enumerar tantos e quantos sucessos Elpidio dos Santos, fez para Mazzaropi, mais com certeza Fogo no Rancho e A Dor da Saudade foram as principais; entre de muitas outras em que canta em seus 32 filmes. Despertar do Sertão, Sertão em Flor, Rama da Mandioquinha, Vendedor de Lingüiça, Zé do Periquito, Sopro do Vento; Azar é Festa, Jóia do Sertão, tantas e tantas que somente revendo todos os 32 filmes para lembrar." (Leia mais aqui)

As homenagens ao centenário de nascimento de Elpídio dos Santos

“VIVA ELPÍDIO!”, com Oswaldinho e Marisa Viana

Para homenagear e comemorar o centenário de nascimento do compositor Elpídio dos Santos, Oswaldinho e Marisa Viana apresentam o trabalho “Viva Elpídio!”, onde contam e cantam a vida e a obra deste poeta, músico e compositor brasileiro. O cd, além de divulgar a existência de uma obra musical do século passado pouco conhecida e ainda quase que totalmente inédita, traz como contribuição, não só o áudio, como também um livreto com a biografia atualizada do autor. Os músicos revivem também, algumas canções de Elpídio que fizeram sucesso como trilhas nos filmes de Mazzaropi. Num total de dezesseis faixas, este álbum traz seis músicas inéditas do autor, cujos temas vão do caboclo da roça à cidadezinha do interior paulista, do romantismo à malandragem do caipira que viaja para o Rio de Janeiro, da religiosidade e da superstição ao humor ingênuo do nosso homem do interior.

Participam das gravações músicos como Toninho Ferragutti / Pratinha / Ítalo Perón / Roberto Lazzarini / André Perine / Sérgio Turcão / Jica / Evaldo Correa / Totty Boné / Thais Musachi / Pimpa / Marisa Silveira e Stanley Jorge. Há ainda, a participação do Grupo Paranga, na faixa CARNAVAL EM MADRID.

A concepção, pesquisa e produção executiva do trabalho são de Marisa Viana e a direção musical e os arranjos são assinados por Oswaldinho Viana. Clique aqui para outras informações.


Bibliografia Crítica sobre Elpídio dos Santos
(fonte: Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira)

AZEVEDO, M. A . de (NIREZ) et al. Discografia brasileira em 78 rpm. Rio de Janeiro: Funarte, 1982.
MUGNAINI JR, Ayrton. Enciclopédia das músicas sertanejas. São Paulo: Letras e Letras, 2001.
NEPOMUCENO, Rosa. Música caipira - Da roça ao rodeio. São Paulo: Editora 34, 1999.

Para Assistir:

Semana Elpídio dos Santos


Aniversário de Elpídio

Elpídio dos Santos, Centenário


Sopro do Vento (Elpídio dos Santos)
Grupo de MPB da UFPR



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