Aperta o cinto.

A impressão é que algumas expressões populares, ou ditos populares, mudam de nomes - a modernização dos costumes - ou ainda resistem em algumas regiões da cidade. Semana passada no trem destino Calmom Viana, que partiu da Estação Braz, a mãe recomenda à filha “... fala pro seu noivo que ele tem que ´apertar o cinto` se quiser casar ...”. Igual a final de capítulo de novela o trem chegou na minha estação de destino, São Miguel Paulista, e fiquei sem saber se apenas um conselho econômico ou preocupação da mãe com o futuro da filha ao lado do “mão aberta” futuro genro. A Miriam Leitão aconselharia “os sinais de inflação estão muito latentes, os índices em alta assustam, tem que cortar os gastos desnecessários se estiver pensando em constituir um laço familiar”. Mais simples a mulher diferenciada. Noel Rosa compôs em 1.932 Seu Jacinto com a letra dizendo da necessidade de fazer economia e a pose de certas pessoas mesmo passando “necessidades”. Naquele ano um protesto na imprensa, assinado por Jota Tojeiro, concluía que “o final dessa letra é bem desagradável para quem tem família e tem a infelicidade de ter um rádio em casa ligado para qualquer das nossas estações". Que tal começar a semana com o humor, a letra e música de um dos melhores da música brasileira?. Com Noel Rosa e Ismael Silva.

Seu Jacinto Noel Rosa O que eu sinto e não consinto É seu cinto se afrouxar Seu Jacinto aperta o cinto Bota as calças no lugar O seu Jacinto tinha que comprar feijão Mas não tinha um só tostão E o caixeiro estava duro Ele não gosta de pagar feijão à vista Porque sendo futurista Paga sempre pro futuro O seu Jacinto que é cheio de chiquê Eu não sei dizer por quê Dorme de cartola e fraque Anda dizendo que o seu sonho dourado É morrer esmigalhado Por um carro Cadillac O seu Jacinto já arranca a sobrancelha E só bebe mel de abelha Para ser um doce amor A tia dele que até hoje é melindrosa Quer ser leve e vaporosa E tomar banho de vapor Quando tem baile lá na casa da Teresa Ela faz pano de mesa Com o lençol que cobre a cama Bota nos copos água usada na banheira Depois diz à turma inteira Que é cerveja lá da Brahma"



3 comentários:

  1. Joca disse...:

    Zé maria e as pequenas grandes histórias de Sampa e da Musica Popular Brasileira!
    Parabens, belo texto!

  1. O Impenetrável disse...:

    Parabéns pelo blog, os textos aqui são ótimos de se ler, além de inspiradores.

    Abraços!

  1. José Maria disse...:

    Olá Antonio "O Impenetrável", obrigado pela visita e comentário. Vou ler com muita atenção aos seus textos. Fazendo um comercialzinho da nossa Editora, também escritora:
    http://cincodeoutubro.blogspot.com/
    Grande abraço

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