Vadico

Algumas homenagens que, não sei não, ficam devendo. O Dito Popular diz que ser "lembrado é o que interessa; que cavalo dado não se olha os dentes e o que vale é a boa intenção" ao que o outro Dito, também Popular, contra ataca: "de boas intenções o inferno está cheio". Colocando "panos quentes na conversa", dá para dizer que poderiam, em alguns casos, dar uma caprichada, uma atenção maior ao homenageado.

Vadico é parceiro de Noel Rosa nas musicas Feitio de oração, Conversa de botequim, Tarzan, o filho do alfaiate, Prá que mentir, Cem mil reais, Provei, Mais um samba popular, Quantos beijos, Filosofia e Só pode ser você. Apenas, "apenas", isto no curriculo já bastaria. Além disso era um paulistano do Brás, filho de italianos, fazendo sucesso no Rio de Janeiro, na época o "centro do mundo" musical brasileiro. Foi para os Estados Unidos onde ficou por treze anos, sendo pianista e arranjador da orquestra que acompanhava Carmem Miranda em apresentações lá e na Europa. Também arranjador musical de filmes estrelados por ela, entre outros Uma noite no Rio, Aconteceu em Havana e Minha secretária brasileira, "aparecendo" nos filmes também como musico. Foi convidado por Walt Disney para musicar o filme Alô Amigos, a "apresentação" do personagem Zé Carioca. Viajou como maestro da companhia da bailarina Katherine Dunhan pela Europa e países americanos, inclusive cidades brasileiras.

De volta ao Brasil, não voltou americanizado, passa a trabalhar como pianista e orquestrador da gravadora Continental e da Rádio Mayrink Veiga com os maiores cantores e compositores da época. Foi ainda parceiro musical de Marino Pinto, Vinicius de Moraes, David Nasser entre outros. O critico musical e biográfo de Noel Rosa, João Máximo diz que Vadico foi "o melhor parceiro de Noel, musicalmente falando, o que melhor soube criar melodias para as letras do compositor. Em alguns casos, a gente nota que Noel trabalhava com a melodia já pronta e fazia versos que se encaixavam perfeitamente ali. Ele era moderno para a sua época”. A morte de Noel antes dos vinte e sete anos interrompeu prematuramente a parceria.

O nome de batismo de Vadico era Oswaldo de Almeida Gogliano que nasceu no dia 24 de junho de 1.910 e morreu no dia 11 de junho de 1.962. Vadico é homengeado em sua terra natal com o nome em uma praça e em uma rua.


A praça é localizada a poucos metros do início da avenida Paulista, "a mais paulista das avenidas"; entre a estação Paraiso do Metrô, entroncamento das linhas 1 e 2 e a praça Oswaldo Cruz, referência de localização para o Shopping Paulista e o hospital Oswaldo Cruz e também está ao lado da Vinte e Três de Maio, importante via de ligação norte sul. Apesar da localização de prestígio, é pequena, está mal cuidada e o responsável pela banca de jornal ali situada não sabe nome da praça e o porque do nome. Literalmente: ninguém sabe. A prefeitura usa nas placas de identificação colocar em destaque o primeiro nome e logo abaixo, em tamanho menor, a continuação. Então fica Pç. Oswaldo e abaixo Praça Oswaldo Gogliano "Vadico".


No Brás, bairro onde nasceu, está a rua Vadico, e a homenagem não está mais valorizada, o descaso é maior. Não é exatamente uma rua, é uma viela, sem saida, com a placa de idenficação sem maiores informações e em péssimas condições. Este ano é o centenário de nascimento de Noel Rosa e de Vadico. De nossa parte estamos devendo a nossa para o Oswaldo Gogliano, o Vadico.


A rua Vadico

No dia em que foram apresentados Vadico mostrou a Noel uma musica de sua autoria. O cronista da época se fosse hoje diria que Noel "surtou", "pirou" e começou ali mesmo a escrever a letra da primeira parceria: Feitio de Oração.

Verônica Ferriani é uma jovem cantora paulista nascida em Ribeirão Preto, interior de São Paulo. A nossa homenagem ao paulistano do Brás Vadico, ao Poeta da Vila Isabel Noel Rosa com Feitio de Oração, composta a quase oitenta anos, na voz de uma jovem paulista. À propósito: uma gravação feita em um bar. Quer melhor lugar?. Principalmente para Noel. Pena que no final ela disse "Salve Noel" e esqueceu do: "Salve Vadico".

Nós acrescentamos: "Salve Vadico".




Quem acha vive se perdendo
Por isso agora eu vou me defendendo
Da dor tão cruel desta saudade
Que por infelicidade
Meu pobre peito invade.
Batuque é um privilégio
Ninguém aprende samba no colégio.
Sambar é chorar de alegria,
É sorrir de nostalgia
Dentro da melodia.
Por isso agora
Lá na Penha vou mandar
Minha morena pra cantar
Com satisfação
E com harmonia
Esta triste melodia
Que é meu samba
Em feitio de oração.
O samba, na realidade,
Não vem do morro nem lá da cidade
E quem suportar uma paixão
Sentirá que o samba então
Nasce no coração.



2 comentários:

  1. Joca disse...:

    Amigo Zé: pois Vadico tem grande homenagem aqui no ser-tão paulistano, pois, somos lidos mundo afora, de Sul a Nordeste, pelo menos, asseguro-te! E olha que se eu tivesse de escolher alguém para escrever sobre Wadico ou mais alguém da Época de Ouro, escolheria ZéMaria, guru do ser-tão e nosso memorialista! Uma só das musicas citadas - tiro ao acaso Filosofia, que acho maravilhosa na voz do Chico Buarque - já bastaria uma homenagem decente. Obrigado pela lembrança e pelas valiosas informações, pois eu nada sabia de sua carreira americana.

    Joca (assino logo, para o caso de esse tréin só me aceitar como "anônimo"! Então, ataco antes!)

  1. José Maria disse...:

    Joca: homenagem das merecidas eu fiz logo após a foto da Rua Vadico. Sexta feira fim de tarde, nada mais a produzir profissionalmente, 30 graus no velho e bom Brás. Um boteco bem em frente à rua, nada melhor que um tin tin aos botequeiros Vadico, a história diz pouco, e ao Noel, este sim a história diz muito: grande botequeiro.

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