Frases feitas, ditado popular...


Das frases que a gente diz e cita sem ter qualquer noção de quando ouviu a primeira vez, quem é o autor, de que época, só temos a certeza que continuamos repetindo e até repassando para outras pessoas. A Fernanda, a Lenda, a Escritora, e agora Doutora, a Editora Chefe ou Administradora Geral deste sitio, tem algumas frases que está sempre a citar. Sei muito bem que muitas são de sua "própria larva" e outras são adquiridas em suas andanças paulistanas e mundiais literárias. O Jangada Brasil é um dos mais completos sitios a tratar com todo o carinho a nossa cultura popular. Pego uma mudinha de lá e, espero que permitam, plantar aqui nas nossas terras. As frases que falamos e ouvimos.

"A linguagem popular oral é uma fonte opulenta de material filológico e folclórico, quer pelo vocabulário pleno de curiosidades, quer pelo rol de frases feitas de cunho nitidamente tradicional. Estudando, particularmente, as frases feitas, vamos dar com uma série de advertências que são apresentadas em determinadas circunstâncias no correr de uma conversação, por ocasião de encontros pessoais e por motivos vários, segundo a oportunidade. Essas advertências populares, muitas vezes, procedem de fonte erudita; como natural compensação, outras vezes são aceitas por escritores de nome, tomando foros de dizeres civilizados.

Um dos mestres do folclore mineiro, Lindolfo Gomes, já teve a oportunidade de registrar uma coletânea de advertências populares em seu valioso Nihil novi (Tip. Brasil, Juiz de Fora, 1927). Juntamos à sua contribuição uma série recolhida em Minas Gerais.

1. Fala-se sobre uma certa pessoa e esta aparece: Falar no mau, aparelhar o pau. Também se diz: Tem vida para cem anos ou Tem vida longa. Este dizer popular deve-se prender a alguma velha crendice.

2. Insultando alguém de físico avantajado: Tamanho não é documento.

3. Referindo-se a alguém que se mostra mal-humorado: Levantou-se com o pé esquerdo. Este dizer procede de uma universal crendice. Também se diz: Está com a avó atrás do toco.

4. A alguém que foi a alguma parte para voltar logo e demorou-se: Foi buscar a morte?

5. A uma visita que se demora pouco: Veio buscar fogo? Ou então: Parece visita de médico.

6. A alguém que nos aparece em casa após longa ausência: Ora viva! Fulano ressuscitou! Também se diz: Sua casa tem goteira? Ou ainda: Deu correição em sua casa, hoje?

7. Ao intrometido, que dá palpites numa roda de jogadores, sugerindo lances: Sapo de fora não chia.

8. Mareando-se um dia para pagamento de uma dívida que não se pretende saldar: Pagarei no dia São Nunca. O interlocutor sabido retruca logo: Cobrarei no dia de Todos os Santos!

9. A quem se lamenta de um acontecido, sem razão: Está chorando com a barriga cheia.

10.Ameaçando a alguém de um próximo ajuste de contas: Vou mostrar com quantos paus se faz uma canoa.

11. A quem nos relata um fato inacreditável: É muita banana por tostão. Também se diz: Essa (mentira) nem com farinha (eu engulo).

12. Aos que sempre concordam com o que outros dizem: Você é Maria vai com as outras.

13. A quem foi ludibriado em algum negócio: Comeu gato por lebre. Em francês é comum a expressão "prende desvessies pour des lanternes" com aplicação em condições semelhantes, segundo J. Keating (Fraseologia popular franco-portuguesa e vice-versa. Tip. Aillaud, Alves & Cia, Paris, 1911).

14. A quem está usando roupa muito ajustada no copo: Quer vender essa capa de espingarda? Também se diz: O defunto era bem menor.

15. A quem se vestiu com um paletó muito curto: Está bom para passar enchente.

16. Ao que veste calças muito curtas: Compre calças ou venda as pernas. Também se diz que está usando Calças pega-frango."

(Teixeira, Fausto. "Fraseologia popular: Advertências populares". Diário de Minas. Belo Horizonte, 21 de janeiro de 1951)
Conheçam o Jangada Brasil: vale a pena.



1 comentários:

  1. Joca disse...:

    Grande Zé Maria! Não poderia deixar de lembrar aqui uma grande contribuição do violeiro, luthier - e depois desta, filósofo! - Levi Ramiro: "Quem tem tempo caga longe", dito que ele atribui a seu pai e a história foi contada no blog do Paulo Freire. Antológica frase, que um dia haverá de constar nos grandes compêndios do saber universal, pois a frase vale por tomos e tomos, verdadeira enciclopédia reflexiva sobre o sentido da existência: na roça, se o sujeito tá "apertado" busca a primeira moita; se tem tempo de sobra vagueia e vagueia!

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