Entrar numa roubada, à polonesa.

Robert Wladyslaw Parzelsk, polonês, desembarcou no aeroporto de Guarulhos com a recomendação de um amigo, também polonês, de aguardar dois dias para se encontrarem. Na nossa lingua mãe, bem no popular, o polonês "entrou numa roubada".

Durante quinze dias ficou à espera do amigo "muy amigo" sentado em um banco do aeroporto sem conversar com ninguém, já que só fala a lingua de sua pátria mãe. Foi literalmente salvo pela "gente diferenciada" do aeroporto: faxineiros que ofereciam restos de comida, agua, cigarros. A linguagem universal da solidariedade, onde come um come mais um, permitiu ao "alemão", como se tornou conhecido, a sobrevivência numa em dias de bastante frio. No período não conversou com ninguém, só ouvia a "gente diferenciada" falando em português, uma das faxineiras disse ser uma forma de ir aprendendo a nossa língua se resolvesse por aqui ficar. Foram encontradas duas garrafas vazias de vodka atrás do banco de cimento, ninguém é de ferro para suportar as noites de frio "à seco".

A Delegacia Civil do aeroporto informou que nada podia fazer por não haver denuncias contra o "alemão". A Infraero, que administra o aeroporto, não sabia da sua existência e olha que depois de alguns dias o gringo estava em uma situação bem difícil, sem tomar banho, barba por fazer e, é possível, um certo odor não muito agradável e vivendo em um banco que era passagem obrigatória de passageiros e trabalhadores do terminal aeroportuário. O Consulado da Polonia também não dispunha de nenhuma informação.

Vivemos mesmo em um país que recebe a todos de coração e braços abertos, sem nenhuma preocupação com espionagem, atos terroristas, segurança. Não poderia o gringo estar observando as condições do aeroporto para um possível ato terrorista?. Provável que não, pois isto seria percebido pela gente diferenciada que "se comunicava" com ele, são humildes mas não são bobos.

A Folha de São Paulo pediu ao médico polonês Witold Broda, vivendo há 47 anos no Brasil, ajuda para resolver o mistério. Depois de quinze dias foi a primeira vez que Robert Wladys
Parzelsk conversava com alguém. Contou ter sido convidado por um amigo a viajar até São Paulo e na volta levar dois aparelhos de telefone. Para que?, não sabia. Apenas considerou uma boa oportunidade de conhecer São Paulo, acreditando tanto no amigo que recebeu apenas a passagem de ida. No dia seguinte o consulado "resgatou" o conterrâneo, conduziu a um hospital para exames e providenciou a pasagem de volta.

Se tivesse a oportunidade teria perguntado a ele como seriam, em sua lingua, as nossas expressões populares: "entrar numa roubada" e "com um amigo desses não se precisa de um inimigo". Para matar a curiosidade o google translator ajuda na leitura da tradução já que a pronuncia, sei não. Entrar numa roubada seria wesla w kradziezy e com um amigo desses não se precisa de um inimigo fica assim: te masz przyjaciela ktorynie potrzebujuc wrogow.

Nawet wiecej ( até mais).



3 comentários:

  1. é José Maria... você não sabe, mas ele estava espionando para dizer na terra de origem as condições do aeroporto para a copa do mundo de 2014!

    rsrsrsrs

    Nós somos a pátria mãe, gentil!

    Ainda bem, prefiro assim.

    Beijos

  1. Anônimo disse...:

    Grande ZéMaria, memorialista do ser-tão, observador arguto e agora poliglota!

    Joca

  1. Gibadaviola disse...:

    É por isto que eu chamo este mestre menestrel plurilinguista de "Joseph Mary". Axé! (iorubá)

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