Nos tempos da datilografia.

Houve um tempo em que aprender datilografia era quase que obrigatório, por parte dos pais,  fundamental para obter empregos e, de grande valia, para ser aprovado em concursos públicos. O do Banco do Brasil era o mais esperado e mais concorrido. 

Um dia, na hora do almoço, Seu Octávio, meu pai, avisou que havia feito minha matrícula no curso de datilografia da professora Dona Leonor. As primeiras aulas eram repetições e repetições de ASDFG com os quatro dedos da mão esquerda e o polegar servindo para dar espaço em pesada máquinas Remington e. "ajuda eu" Joca Ramiro: qual o nome das outras máquinas?. Só mudava para outras teclas quando o aluno demonstrasse habilidade e destreza com os dedos e sem olhar para o teclado. Olhar para o teclado, por sinal, era impossível já que havia um suportezinho de madeira encobrindo-o. Acho que um dos maiores custos da escola de datilografia e que devia ter um peso maior no cálculo da mensalidade era o de papel. Muito papel que ia para o arquivo do aluno após a correção dos erros, feita pela Dona Leonor. Sem dor na consciência pela colaboração na destruição de nossas árvores. Não se imaginava que o homem conseguisse destruir tanto a natureza. Hoje a conscientização para a preservação e sustentabilidade ambiental procura compensar.

Uma das poucas coisas de que me "gabo, e posso falar de boca cheia", é a minha habilidade em escrever, atualizando: digitar, com os dez dedos sem olhar para o teclado. A datilografia era uma exigência para conseguir trabalho em escritórios, bancos, e para a prestação de concursos públicos, onde era prova eliminatória. Poderia o pretendente ao cargo público ter as melhores notas em portugues, matemática e conhecimentos gerais que de nada adiantaria se "ficasse" em datilografia. O meu amigo Nilson, da gráfica A Semana era um dos mais exímios no manejo dos teclados e da alavanca para trocar de linha. Ele dizia, garboso e do alto da sua habilidade, que poderiam dar a ele nota zero em portugues, matemática ou conhecimentos gerais que não reclamaria, mas se dessem nove virgula nove em datilografia pediria revisão de nota.

As escolas de datilografia deixaram de existir fazem décadas, a prova de datilografia está fora dos concursos fazem décadas. Hoje vejo as pessoas escrevendo, melhor digitando, com os dois dedos indicadores, o que antes chamavam de "catar milho".



1 comentários:

  1. Joca disse...:

    Zé, eu me lembro da Olivetti, pois na escola onde aprendi, eram todas dessa marca.
    Eu também fiz o tal curso, usando basicamente os cinco dedos, mas nunca passei de um datilógrafo razoável, sabendo apenas o bastante para passar no concurso publico. Meu estilo de escrever sempre misturou o uso dos quatro ou dois dedos e sempre tive a mania de escrever olhando minhas mãos e não o papel ou a tela, no caso dos dias de hoje... Mesmo que não olhe exatamente as letras, me ajuda a concentração observar o movimento das mãos a buscarem as letras, como se elas o fizessem por si próprias...

    Ah, o Remigton! Mito para a história, mas um impostor no fundo! Ele roubou a ideia da maquina de escrever de um brasileiro, o Padre Azevedo, quem fez o primeiro protótipo que funcionava... a história pode ser encontrada no google...

Postar um comentário

 
Ser-Tão Paulistano Copyright © 2010 - 2011 Template Oficial Versão 2 | Desenvolvido por Iago Melanias.