Elpídio dos Santos (por e-mail)

Oi Fernanda,
Falei com o Negão, do Paranga, e como bom caipira fala bastante, toca demais, escreve pouco e encarregou o João de fazer a "assessoria".
Beijos,
José Maria.


Este Zé Maria é incrível. Um relações públicas das músicas e culturas regionais, eu diria. Outro dia escrevi em um comentário (aqui mesmo no blog) que poderíamos escrever algo sobre Elpídio dos Santos, que seria legal, etc e tal. Então, mais que depressa, Zé entrou em contato com seu amigo Negão, o filho do homem, hoje do grupo Paranga. João Gaspar (também do grupo Paranga) responde amavelmente o e-mail de Zé: "você sabe, aqui seu pedido é uma ordem!! (risos)", em resposta do pedido de Zé para que Negão escrevesse algo sobre o pai ou mandasse algum material. Eis o que nos chegou:

A BANDA DA BANDA DE LÁ
Luiz Egypto de Cerqueira

Benedito Alves era maestro da Banda de Santa Cecília, em São Luiz do Paraitinga, no início do século passado. As velhas fotografias não enganam: na cidade havia pianos de cauda, ouvia-se música nas ruas e os saraus invadiam a noite escura dos lampiões e candeeiros.

Na casa de Benedito, o Mestre Dito, e de dona Ditinha, dois beneditos caipiras, Elpídio dos Santos nasceu em meio ao entra-e-sai dos ensaios da banda. Sim, a Banda de Santa Cecília ensaiava na casa deles. A data é 14 de janeiro de 1909: início de uma infância educada nos segredos do andamento, no gosto pelas harmonias, ritmos e melodias.

Aos 21 anos Elpídio compôs a primeira canção, letra e música, “Desengano” era o nome. Curioso: começou com desilusão e desesperança, as piores acepções de desengano, e percorreu a vida num crescendo de encantamentos musicais e de poesia não cosmopolita, caligrafada em letra redonda e alinhada. Foi o que fez até 1970, quando morreu o homem e ficou a fama. E a obra.

Foi apontador de jogo do bicho, funcionário de cartório e finalmente bancário. Elegeu o violão como instrumento preferido, mas não fazia feio com outras cordas e sopros. Arranhava o piano. Era um excelente professor. Galante e boêmio, embora não gostasse de álcool. Tinha a estranha mania de não beber nada que viesse em garrafas. Casou-se com Cinira. Sobre ela, disse e repito: “Foi e mulher de vida de Elpídio dos Santos, compositor multifacetado e músico fino. O mestre compôs sambas, toadas, foxes, guarânias; escreveu dobrados para bandas, arranjos para coros de igreja e músicas para filmes de Amácio Mazzaropi. Elpídio dos Santos fez de tudo um pouco, inclusive esculturas e telas, além de letras e músicas. Faria muito pouco sem Cinira.”



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