Carnaval Paulistano; um pouquinho a mais.

Sei lá sobre o carnaval. Festa tão profana? Assim, como dizem? E as pessoas, no carnaval? Meus amigos, tão amigos, brindam minha vida com confetes e serpentinas. Me dão alegria, prazer, esperança. Estamos na segunda-feira de carnaval e no meu já teve de um tudo. E eu ainda nem sai da cidade e de suas redondezas. Na sexta, a moderna mpb tomou conta de mim lá no quina cucina, algumas poucas quadras da minha casa, da casa do zé, e de algumas outras casas da cidade. Depois ainda tive tempo para umas marchinhas e um sambinha bom lá no bartitura, na rua dos pinheiros. Então veio o sábado e a feijoada da cláudia, para nós cinco: eu, ela, o zé, a dri e a katya (que prometeu cantar no dia do meu casório, e como promessa é dívida, estou registrando aqui, caso eu case um dia e me esqueça). É que os amigos pra valer a gente guarda mesmo no coração. De lá direto para o sambódromo. Feijoada com samba. Um pé depois do outro desde a estação tietê do metrô, porque, enfim, desta feita foi assim mesmo, em passos largos e carro na garagem do apartamento. Eu, no anhembi, de máscara e tudo, plumas, confetes, serpentinas, purpurina (ou gliter para os mais industrializados) na pele, e nos cabelos. O dia clareou e um domingo pra ver. Como fomos, voltamos: um passo depois do outro, céu azul e um café da manhã no frans. 9 e meia da manhã consegui cruzar o portão de casa e as 2 da tarde me encontrava com um belo prato de comida mineira, no outro lado da cidade e na companhia do meu pai, minha mãe, irmão, cunhada e companhia. Família para se guardar no coração. Um telefonema do navio. Amigos tão queridos. E lá pelas 6 da tarde relaxei meu corpo no banquinho branco da casa da isa, e com tanta gente boa. Salmão saindo da churrasqueira, violão nas mãos do oswaldinho, flauta nos lábios do pratinha (prazer em conhecê-lo), quando não se ocupava do bandolim. E meu corpo foi ficando no banquinho, e ficando, ficando, ficando. A noite caiu, a chuva caiu, e o sono bateu. Confesso que eu queria ter sido carregada pra casa, e colocada na cama com tudo que eu tenho direito: lençol, manta leve e um copo de leite pra forrar o estômago. E eu nem gosto de leite, mas que cairia bem, isso cairia. Outro dia, santana de parnaíba, marchinha pra lá, marchinha pra cá, atrás do trio elétrico ou no palco da praça das bandeiras. Ladeira abaixo, fui encontrada por um amigo da época de faculdade. Um grande amigo, que já foi bem mais do que amigo, e que eu levo no peito. É! No coração. E eu devo ser mesmo uma pessoa privilegiada, porque é de madrugada e eu, há pouco, perdi o sono. Ou acordei perdida, sem saber o que fazer, já que capotei às 10 da noite assim que cruzei sei lá por qual vez o portão de casa. E agora são 3 da manhã. Confetes e serpentinas na internet? É, acontece. Um ex-aluno perdido me jura amor de aluno, e tem um ano que da sala de aula me aposentei. É, to dando um tempo, sei lá bem o porquê. Professora, a senhora não vai pular carnaval? Tão linda, e inteligente, e cheia de amigos. E eu não tive vontade pra explicar que, ao acaso, eu estava recobrando as forças para a rabada de amanhã, lá em três montanhas, se os planos não mudarem de um destino tão incerto e de ventos tão vorazes. E também não fiquei com paciência de digitar a abordagem tão sincera do carinha parnaibano que me veio numa cantada hindu, e quando se deu por conta de que eu era uma simples professorinha de educação física, destilou seu maior veneno: desculpe, achei que você fosse intelectual. E tentou consertar depois: não, não que isso seja um problema, mas eu fiz ciências sociais na usp. Cada um na sua, é de madrugada, e eu só quero dizer ao meu aluno que meus olhos marejaram e que se carnaval for isso, e se isso for profano, por mim tudo bem. Eu devo apenas entender que sou mesmo uma pessoa privilegiada.

- Professora, quero que saiba de uma coisinha antes de ir dormir. Existem duas professoras que amei e que me ensinaram como se portar perante a sociedade, e amá-las. Te amo professora. Amei estudar psicologia com você e aprendi muito mais que psicologia. Aprendi a viver. Te Amoooooooo!

Uma lágrima me cai dos olhos. Entre sambas, confetes e serpentinas. Obrigada, aluno querido. Você também está no meu coração, entre plumas e paetês.



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