Cida Moreira

O carnaval passou e a nossa Editora Chefe já está, ou continua, "a todos os vapores” e pautas e mais pautas são impostas, ops, digitei palavra errada...na revisão do texto eu deleto...mas como dizia, pautas são sugeridas e, no momento, o destaque é para a cobertura da área cultural do Sertão Paulistano. Não está nada fácil acompanhar todos os eventos e já penso em pedir ajuda ao Murzelo Alazão do Joca para dar conta do recado, já que o ágil pangaré é um perfeito conhecedor dos caminhos desde o Parque São Lucas ao Centro Histórico do Embu passando por Pinheiros. Então...a “diquinha” é o espetáculo da Cida Moreira, minha amiga lá das bandas e das terras de Paraguaçu, em apresentação com o André Frateschi.

Terminando de gravar novo CD, o oitavo da carreira, com músicas de Cartola, a cantora e pianista CIDA MOREIRA reestréia Canções de Cortar os PulsosA Música de Tom Waits, show que apresenta ao lado de ANDRÉ FRATESCHI Assinando concepção e direção geral, a paulistana Cida Moreira escolheu cantar músicas de Tom Waits “porque são canções de sangrar, de cortar os pulsos. Tenho uma identificação musical e artística com Tom Waits”. Esse novaiorquino de voz rouca e gutural de álcool e cigarro reflete em suas músicas um estado de espírito triste e melancólico. Mas mesmo com o título, o show tem humor; os dois falam coisas engraçadas e cantam com senso cômico. O show estreou no Festival Internacional de Teatro em 2004, na Argentina, depois passou por algumas cidades do Brasil até ser engavetado por dois anos. Foi retomado no ano passado, no SESC Santo André, chegando no Viga Espaço Cênico, e Teatro Agora. “Reformulamos o show original e convidei o André, que é um puta cantor de rock, um baita performer.” diz Cida Moreira. Realçado pelas características dos dois artistas, que vão além do canto e da execução dos instrumentos, o show é teatral. No cenário de sala de casa, com atmosfera de cabaré enfumaçado, uma velha poltrona, a mesinha com garrafas de conhaque, um LP na antiga vitrola, o acordeon sobre o tapete, o piano aberto, com os martelinhos aparecendo, e uma foto de Tom Waits na parede. “Cantar o que Tom Waits compõe é como caminhar por uma cidade fantasma onde tudo é arrepiante, mas traz uma estranha e imensa sensação de paz. Ele sempre compõe como quem vive perto dos que sempre partem e andam pelo mundo tendo como companhia a incredulidade, a transgressão e a beleza que tudo permeia. Eu, pretenciosamente, assim como Tom Waits, sempre quis viver dentro das canções e delas nunca mais voltar, se possível. Ele se mostra como uma voz do fim dos tempos, mas é a voz que sabe que o absurdo da existência surge daquele que quer dar um sentido pronto e acabado a tudo isso; mas essa “metafísica de botequim”, só começa de fato quando aprendemos a respeitar o tempo; e é aí que nos desenvolvemos e encontramos o sentido de nosso caminhar. Todas estas coisas me levaram a cantar Tom Waits, finalmente: a necessidade urgente de refletir-me no tempo através da estética musical, que me dá a liberdade que tanto busco exercer, sem limites, como artista e ser humano, nesse caminho longo, árduo e extraordinário de me tornar a pessoa que originalmente sempre fui”, observa Cida Moreira.
Em 2003, a convite do Festival Internacional de Buenos Aires e do Governo da capital Argentina, Cida Moreira foi aclamada pelo público, imprensa e crítica especializada por sua performance com a música de Waits. Jornais como La Nacion e Clarin se renderam ao se talento, dando quatro estrelas para o show. O Clarin destacou sua interpretação, que prima pela não imitação ou paródia do compositor e poeta. O jornal La Nacion elogia a personalidade de Cida Moreira e diz que seu rigoroso temperamento a torna dona do material que interpreta, dando-lhe autonomia para fugir da simples releitura da obra. Observa que as canções teatrais de possibilitam ver a maturidade e a segurança da voz de WaitsCida, cujos resultados soam comoventes e estremecedores. Destaca a interpretação de Picture On A Frame, Tango Till They`re Sore, Lonely, O1 55 e chama de magnífica sua interpretação para Downtown Train.

Coincidência, e das boas, recebemos a visita em nossa redação do Thiago Bechara, que é o maior conhecedor do trabalho da Cida e, quando foi pedido que falasse um pouco sobre ela, foi logo dizendo: “ é prá já, escreve ai:” - ah! se não tivesse aprendido datilografia nas antigas Remingtons.

" A paulistana Maria Aparecida Guimarães Campiolo, mais conhecida como Cida Moreira, se consagrou nos anos 1980 como intérprete de grande apelo cênico por sua personalidade densa e dramática. Atriz e pianista, além de cantora, Cida Moreira participou de inúmeros trabalhos no cinema, chegou a fazer televisão e tem passeado com admirável versatilidade pelo que há de melhor na música popular, não apenas brasileira, como se pode notar (com ênfase em um dos seus principais discos, “Cida Moreyra interpreta Bertold Brecht”, lançado em 1988), mas também de todo o mundo. Uma artista conectada com outros tempos e lugares. Interessada pelo que há de melhor em nossa cultura, Cida lançou seu primeiro disco ao vivo, “Summertime”, em 1981. Entretanto, foi em 1978 que se lançou profissionalmente, data essa que completa exatos trinta anos em 2008. Cida lançou “Summertime”, em 1981, “Abolerado Blues”, em 1983, “Cida Moreira”, em 1986, “Cida Moreyra interpreta Bertold Brecht”, em 1988, “Cida Moreira canta Chico Buarque”, em 1993, “Na Trilha do Cinema”, em 1997, “Uma Canção pelo Ar” em 2003, além de participar de “Cantorias e Cantadores”, em parceria com Renato Teixeira, Xangai e Eugênio Leandro, “Fernando Pessoa – Mensagem” (lançado em CD e DVD, com vários artistas, dentre eles, Milton Nascimento, Mônica Salmaso e Elba Ramalho), em 2006, os tributos “Maysa – Essa chama que não vai passar”, em 2007 (com vários artistas como Maria Bethânia, Bibi Ferreira, Alcione, Ney Matogrosso e Zélia Duncan) e “Dolores – A música de Dolores Duran”, em 2007 (com vários artistas também, como Célia, Fagner, Fafá de Belém, Wanderléa e Zezé Motta), dentre tantos outros trabalhos."

O
ANDRÉ FRATESCHI é ator, radialista, vocalista e locutor, formado pela FAAP, André tem estreita relação com a música e em seu currículo registra trabalhos em tv, rádio e, especialmente, no teatro paulistano. Recentemente atuou na novela Páginas da Vida, da rede Globo, emissora onde trabalhou também nas minisséries JK, Mad Maria e Um Só Coração. Participou também do longa O Cheiro de Ralo, de Heitor Dhalia, entre outros. É vocalista e idealizador do Poltrona F, banda de funk e soul em cartaz na Disco e no Coppola, e do Heroees, única banda brasileira dedicada ao repertório de David Bowie, recentemente convidada a apresentar-se em Amsterdã, no maior fã-clube do artista no mundo. No teatro, entre outros trabalhos, participou recentemente de Ricardo III, de Shakespeare, com direção de Roberto Lage, além de Sossego e Turbulência no Coração de Hortência, no projeto Teatro nas Universidades, como ator e diretor musical.

Serviço um: Sextas ( 21:30 hs) - Cabaré Bertold Brecht, Kurt Weil e afins criando o clima dos cabarés alemães dos anos trinta a quarenta do século passado.
Serviço dois: Sábados (21:30 hs) e Domingos (19 hs) - A música de Tom Waits
Serviço três: Viga Espaço Cênico - Rua Capote Valente, 1323 - próximo ao Metrô Sumaré



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