O “ser-tão” no “ser-tão” da Viola Mineira

"Doralice", por Luciano Borges

Já que Joca (na postagem logo abaixo) foi até Além Mar com Zeca Afonso, hoje eu peço licença poética para ir até Araguari, no triângulo mineiro, com o violeiro e luthier Luciano Borges, que também é cantadô na Orquestra Viola de Arame, projeto danado de bão.

Tá, vamos por partes. O Giba da Viola, este parceirão da gente, é como um irmão para mim. E eu nem tô aqui para puxar a orelha dele não, mas, por mais que ele seja um apaixonado pela viola e por este jeitão caipira de um mundo todo prosa, ela tá pra lá de distante (acho) de ser um luthier, coisa que o Luciano manda bem demais da conta. Mas o cabra manda bem, e de um tanto, que ele inté montou um sitiozinho na web (Viola Mineira) para mostrar, ensinar, dividir, tocar sua arte por este “ser-tão” violeiro todo afora.

O Lu (eita intimidade de parceria, sô!), no trem dele, explica tim-tim por tim-tim a cinturada da viola, até mesmo quando ela entra pelo cano. Aposto que você não sabia que a viola entra pelo cano, né? Nem eu, mas o Lu explica como. Violeiro moderno, ele faz tutoriais de um monte de coisa bacana. É leque harmônico, é captador, é cola, tensor, tarrachas e cravelhas, jacarandás, peroba, pinho, jatobá (tá, me empolguei com a flora amada, não sei se todas estas madeiras são de lei para a viola, então fiquemos com a primeira, tenho certeza que está lá no sertão do Lu Borges – agora danou-se de vez, dei apelido pro rapaz, espero que não se zangue mas, por via dos trens, já estou separando aqui um pedaço de queijo pra amansar o caboclo, vais quê...).

E só pra fazer bom registro, o Luciano Borges, também é violeiro e cantadô na Orquestra Viola de Arame. Visite o sítio dessa gente bacana enquanto a Virada Cultural não vem.



6 comentários:

  1. Joca disse...:

    Bem, tem que ser mesmo Editora-Chefa pra ter poder e autoridade pra descobrir e nos mostrar algo sobre a "viola de arame", instrumento que já foi o mais popular de nossa terra inté meados dos principios do século XX - dizem uns; outros que caiu em desuso lá por 1870! E o dito instrumento era do gosto popular e também do pessoar da Corte; tocava-se viola de arame nos bailes do povo e tamém nos salões, onde as mocinhas - bem comportadas, sentadinhas, alvas mãos cruzadas sob os alvos colos - ouviam embevecidas as modinhas, os lundus... Depois, com a popularização do violão, meio que saíram de moda, até quase desaparecer. Pra dizer a verdade, a única pessoa que sabia que tocava Viola de Arame era a Gisela Nogueira, que tocou nos discos Marilia de Dirceu e Viagem ao Brasil, com Ana Maria Kiefer. Gisela também lançou um Cd, com Gustavo Costa, chamado "Tocata Brasileira Para Pinho e Orquestra".
    Nas minhas andanças pelo Ser-tão já ouvi dizer que esse instrumento é uma espécie de ancestral das vilas "caipira" e "sertaneja".... Pra conferir!

  1. Joca disse...:

    eita, teclado! QUis dizer "VIOLAS "caipira" e "sertaneja"!

  1. Fernanda disse...:

    Ei Joca... vilas caipira e sertaneja ficou bão também... e este ato falho Freud bem que explica... E, rapaz, tu é entendido na coisa da viola de arame, hein? quando eu entrei no site do projeto eu pesquisei algo, achei bacana... mas você é um trem de cultura regional. Vamos para a virada Joca. U-hu!
    Beijos

  1. Joca disse...:

    Ô, senhora Editora! Sei é nada di nada! Cuma te disse, eu inté pensava qui só a Gisela tocava. A bichinha tem um trinado bunito dimais, rústico - mais ou menos, se for possível comparar, a rabeca e o violino. Lá nos profundos sertões, os malungos falam qui a viola de arame foi pros interiô, meio qui exilada com o surgimento do violão clássico, de seis cordas, com mais recursos sonoros. O instrumento tem todo um jeitão de coisa do interior de Portugal, inté no formato lembra a viola braguesa. Si a sinhora Editora Chefa autorizar e encaminhá uma verba - coisa pouca, só pra pagar a bóia e o capim e a ração do meu Murzelo Alazão - vou imbarcá nesse mundão e tentá descobrir pruquê a danadinha da viola di arame ficou relegada ao quasi esquecimento durante tanto tempo.....
    Ah, vamos combiná alguma coisa pra Virada, sim, amanhã...quiria muito ir ao armazém caipira, vâmo vê....

  1. Agradecendo: Hahahahaha, Fer... "ocê é coisa boa por demais", não se icomo consegue ser tão mineira, rústica sem beirar ao deboche! Agradeço muito pelo post, ninguem poderia escrever sobre o Violamineira melhor que você nesse nosso mundo! Tou de olho no queijo ein!!!!

    Acrescentando: Ó.. esse caboclo Joca ai fez comparação muito infeliz... violino com rabeca é exagero por demais! Precisa ver o acabamento fino que a danada recebe, importante salientar que a Viola é mais antiga que o clássico violão! Por aqui, a viola é sempre VIVA!

  1. joca disse...:

    Oxi, que só depois de longa viage pelo chapadão, onde icrontei uns bugre muito do sabido é que hoje retorno! No duro das comparação, não tenho pretensão a afirmações categóricas, pois de violas, rabecas, violinos e outros trens, só entendo é de ouvir! nada sei das fazeção e das escalas, assuntos doutos, longe das competencias de modestos cangaceiros! Só digo que entre os malungos que conheci pelo sertão, rabeca e violino dá no mesmo, o velho Zé Côco do Riachão dizia isso. Sabe-se que ao adentrar em minúcias, hai abismos diferenciais, mas entre os sertanejos o que conta é a serventia! E como um Stradivárius ou um Cremona é coisa chique por dimais da conta, a gente do sertão faiz elas mesmas sua versão do dito instrumento: assim é assim. Dito e feito! E pra mostrá que se sertanejo é cabra criativo a dar com pau, rabeca brasileira tem 4, 5 ou 6! Caipira está para o que vier! saliente-se a rabeca tem fama de ser Pai do dito violino (oxente, cuma pode ser Pai se tem nome feminino? Mas é Pai e mãe, as veiz da no mesmo!)e com paternidade não se brinca - coisa pra se averiguar dentre os mestres do assunto é o fato de a rabeca de 4 cordas ter a mesma sequencia do violino, ou seja, MI-LA-RE-SOL. A Rabeca veio da do norte da África, dizem, para o continente Europeu, mas suas reminicências são oriundas de partes mais profundas das arábias e, aí se perde a maior partes das refências, nas brumas do tempo.... Há quem diga que pissui semelhanças com uma tal de vielle, da Ucrania. QUe será que essa rabequinha danada andou aprontando por esse mundo de Deus? pareci qui tem filho espalhados pelos 4 cantos!...

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