A Viola Caipira é aqui

ECA de São Paulo oferecerá, pela primeira vez, bacharelado em viola caipira

Cinco ordens de cordas, arranjo complexo, influências árabes e ibéricas, composições de difícil interpretação. “Causos” do campo, vida na fazenda, pé na terra e no universo da roça. Há uma contrariedade entre os termos das duas sentenças acima. Uma contrariedade que se personifica na viola caipira, instrumento musical que será tema de um curso de graduação que a sede paulistana do Departamento de Música da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP oferecerá, pela primeira vez, a partir do ano que vem.


A Fuvest 2009, com inscrições já abertas, oferece duas vagas para a viola caipira, como ramificação da graduação em música. O curso já era oferecido em Ribeirão Preto e a partir do ano que vem inicia sua trajetória em São Paulo – resultado de uma demanda dos próprios paulistanos, como relata o coordenador do curso, professor Ivan Vilela.

“Em cursos e outros eventos sobre a viola caipira que realizamos, verificamos que havia muito interesse de pessoas de São Paulo pelo instrumento. Isso, somado ao fato de que na capital poderíamos integrar a viola ao ensino de outros instrumentos, motivou a mudança”, explica o docente. Há também outro campo: em São Paulo, há mais facilidade para que o estudante transite por áreas como antropologia e sociologia, fundamentais para a compreensão do que é a viola caipira.

O bacharelado de viola caipira da USP é único no Brasil. Mais: no mundo. A viola caipira é um instrumento que, apesar de suas raízes européias – mais especificamente portuguesas – e árabes, é essencialmente brasileiro. É com a viola caipira que se executam as tradicionais modinhas, verdadeiros hinos do Brasil rural, de um Brasil não tão distante dos dias atuais.

E se a expressão “modinha de viola” sugere uma certa simplicidade, é bom mudar o olhar. “A melodia é tão complexa, e os ‘causos’ são tão importantes, que a viola tem uma singularidade – quando se toca, não se canta, e vice-versa”, aponta Vilela.

O instrumento passa por um momento de valorização, segundo o professor da ECA. E não só ele: na avaliação de Vilela, tem se olhado, nos últimos tempos, com mais carinho para elementos que fortaleçam aspectos de culturas locais – é uma verdadeira “resposta à globalização”. “É um efeito colateral do sistema globalizado. A massificação de hábitos leva a esse apego das culturas locais. A música se fortalece com isso”, aponta.

No caso específico da viola, intrinsecamente ligada ao mundo rural brasileiro, reforçam-se ainda aspectos como a “desilusão com a cidade”. Que já era cantada em clássicos sertanejos como Caboclo na cidade, de Geraldo Viola e Dino Guedes, que diz: “Eu não sei como se deu isso / Quando eu vendi o sítio / Para vir morar na cidade. / Seu moço naquele dia / Eu vendi minha família / E a minha felicidade!”. Agora, nos tempos contemporâneos, em que “viver na cidade” é algo que passa longe de ser uma questão de escolha, talvez faça até mais sentido cantar uma saudade de algo que não existe, relembrar uma vida que não se vivenciou.

Tal momento se reflete em oportunidades. O bacharel em viola caipira encontrará, segundo Ivan Vilela, um vasto campo de trabalho após concluir o curso. “As pessoas têm olhado com mais atenção para a viola caipira, e a tendência é que o instrumento seja cada vez mais usado. Mais pessoas conhecem o instrumento e o utilizam em seus trabalhos”, finaliza.

Fuvest
O bacharelado em viola caipira é uma das variações do curso de graduação em música, oferecido pela Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP. Será oferecido para o campus de São Paulo pela primeira vez no exame que selecionará alunos que ingressarão na


Fonte: www.usp.br



1 comentários:

  1. joca disse...:

    Salve Zé Maria e essa boa notícia. Vendo o Ricardo Vignini fazer aquelas diabruras, vindo do rock, a gente desconfia que a violinha tem muita história pra contar e fazer.
    Se ela é instrumento genuinamente nacional, não sei dizer - aqueles trinados lembram, claro, certas guitarras portuguesas, um certo toque "andaluz" e até evoca os toques hindus ou indianos. O que sei é que esse modo específico de tocar o instrumento e suas muitas afinações e modulações, isso sim, é dessa terra, notadamente o interiorzão....

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