Cantador - Cláudio Lacerda

É com muita satisfação que apresento o novo trabalho do violeiro Cláudio Lacerda, Cantador, que terá seu lançamento no

SESC Pompéia,
dia 07 de maio de 2010,
às 21 horas.

Compareça! E saiba mais sobre o novo cd lendo o texto que escrevi para o site do mancebo (tá, sou suspeita pra dizer... hehehehe):

Cantador – Cláudio Lacerda

Não é que eu queira lhe vender algum conselho...

Em Cantador, Cláudio Lacerda expande seu universo particular em canções que retratam manifestações e memórias mais puras: o campo, a serra, a chuva e o cheiro de mato. A amada. Morena, teus olhos então...

Muito embora pareça delirante identificar as fontes de inspiração na iconografia popular dos acordes nos livros dos antepassados, das partituras suburbanas ou das imagens de santos, Cantador não se trata nem só de uma composição baseada em referências da cultura e do cancioneiro popular, como nem só configura-se por sua musicalidade altamente subjetiva. Lenha e Carvão. Há um encanto que faz da música de Cláudio Lacerda um tipo de expressão que não se encaixa, nem nos modelos nem nas tendências. É que toda viola guarda seus segredos, passa boi, passa boiada, passa Maria Fumaça.

Por tentar descrever modos expressivos e autênticos, originários da subjetividade e da imaginação criadora de pessoas ligadas às tradições e ao universo que ultrapassa a fronteira tênue entre o roçado e a cidade, mochila na mão, chapéu de palha; nesse trabalho, Cláudio Lacerda caracteriza-se pela visão ingênua do mundo ao detalhar, de jeito cantador, os sons da terra, a simplificação dos elementos metafóricos, o gosto pelo arranjo minucioso, bem trabalhado, a visão idealizada da natureza e a presença desse universo que alterna o rural e o urbano de traços típicos: o café já coado, descansando na chaleira, a folia pantaneira, a capital.

Grita, cerca, joga o laço, desafiando a tropeada. É fato que a música de Cláudio Lacerda trata-se de uma expressão artística que, de algum modo, permanece isolada e independente de uma cultura massificada. Vai caminhador, vai com a minha dor. Simplicidade, ingenuidade, inobservância aos padrões sociais traz à baila, como no folclore, e relembrando a arte naïf, uma manifestação artística detentora de valores diferentes ou adversos daqueles que regem as sociedades ditas avançadas. A cruz, o manto, o pranto, a sina e o sertão. Cláudio Lacerda tira tudo (temas, instrumentos, meios de transposição, ritmo, arranjos etc) de suas próprias fontes, sina de cantador, a vida, o verso Divino de Nosso Senhor. Há, sim, uma escolha por temas regionais ou populares, geralmente inspirados nas lembranças da infância, o balão de São João, as procissões e as manifestações da fé popular em geral.

Cantador é fruto de pura tensão artística, não de uma inquietação comercial. Canta, canta que é bonito. O que aparece é o sentido de alegria e estupor perante o mundo, como se o olhássemos pela primeira vez. Saudade de violeiro, marcada por imagens do cotidiano e pela pureza de sons, notas, traços, cores e formas que revelam o desejo de resgatar e conservar algo como um paraíso, talvez já perdido, mas que soa extremamente vivo na voz e viola de Cláudio Lacerda.

Por Fernanda de Aragão - Blog



1 comentários:

  1. joca disse...:

    Disse muito, Senhora Editora-Chefa!
    Conheço pouco o Lacerda, mas pelo pouco que já ouvi, percebe-se que o moço de fato passa ao largo dos modismos todos, inclusive os modismos da própria viola caipira, que - vá lá - também tem os seus!
    Guarda certa similitude com o violeiro andante Fernando Deghi - não no estilo, mas na postura e na relação quase "espiritual" com o instrumento... Parabens pelo texto e que sorte tem esse Lacerda, pois a Editora Chefe tá qui tá inspirada! Bjokas

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