Duas frases.

Noite dessas enquanto ouvia uma musica da boa, ao vivo, ouvi a frase definitiva que explica tudo o que a gente sente em algumas situações. Mesmo a se considerar que as pessoas estão ali para conversar, dar risadas, se abraçarem e serem felizes, existe uma tradição do lugar. Como a boa tradição recomenda ela não é escrita, não é lei, não está informada no cardápio e "reza" que na hora da apresentação musical o respeito ao artista deve ser reverenciado. Não se pede o chamado silencio sepulcral porque contraria o espirito libertário do ambiente e alegria e descontração devem estar em primeiro lugar. Mas quando está se assistindo a uma apresentação quase acústica, com o cantor tocando viola, coincidência né?, em um espaço pequeno qualquer conversa causa um certo incomodo.

Na referida noite um casal estava totalmente envolvido em assuntos que eram desde a relação entre ambos, passando pela última viagem, os candidatos a serem apoiados e quais amigos seriam convidados para o churrasco de aniversário da menina. Na terceira musica, um tanto incomodado, o Chico Branco comenta "que sensibilidade né?" e na sequência conclui com a frase que merece todos os aplausos.


"Serviço": Chico Branco é um genial compositor com musicas e letras de extrema sensibilidade e beleza. Perguntem dele prá Kátya Teixeira, querem melhor referência?, pois a Kátya é uma artista completa e uma das mais lindas vozes do nosso musical Brasil. O Chico tem composições já gravadas por outros intérpretes é um grande conhecedor da nossa cultura, da nossa literatura e nos brinda sempre com grandes canjas onde canta também muito Chico, o Buarque de Holanda, Elomar entre outros. A Kátya está com o projeto do próximo CD com musicas do Chico Branco. Que São Patrocínio ouça nossas preces.

Voltando ao casal é o que podem ser chamados de chatos a depender, lógico e evidente, dos conceitos individuais do que seja chato, se o chato é quem chateia ou se chato é o que se chateia. Espero não ser aqui considerado um "chato de galocha". Bar é um negócio engraçado e os ouvidos precisam estar preparados.

Dia desses no Bar do Seu Luiz, aqui perto de casa, fui "alugado" o tempo todo de uma cervejinha pelo Tadeu, excelente profissional da colher de pedeiro durante o dia e chato à noite. Sem licença, sem convite e sem permissão iniciou um monólogo comigo segurando um copo da marvada, o terceira ou sexto. Monólogo porque só ele falava, não queria ser interrompído, acho eu, e também acho que a minha conversa não deve ser boa. O pior de tudo é que eu não entendia nada do que ele falava. Veesiiimiii entendi. Em tempo: é meu amigo de bairro.


Em um Curso de Cinema da Cinemateca estava sendo exibido um filme dos anos vinte e, detalhe, mudo. Silêncio total, atenções para o filme quando toca um celular. O dono atende e, pior, dá uma "chamada" no filho que ainda não havia voltado prá casa.

Nas cidades do interior e também em São Paulo tem aqueles que estacionam os carros em frente aos bares, abrem as portas e ligam o som no mais alto volume. Chega mais um do outro lado e faz o mesmo. É moda que a disputa de mais alto volume aconteça também nas ruas e de repente passa um carro fácilmente confundido com um trio elétrico. Procure imaginar um desses entrando em um estacionamento, tipo desses de supermercado e coberto. Quanto à qualidade da musica (?) é melhor não comentar.

À proposito do som e da qualidade musical a nós imposta em certas situações, o dramaturgo Mario Bortolotto escreveu que: "toda pessoa com péssimo gosto musical é surda".

Para nada mais ser escrito e dito vamos à frase do Chico Branco: " o chato quando está com tosse não vai ao médico, vai ao teatro".



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