O Bar do Amorim

Podiam ser os anos das revoluções por minuto que aconteciam em outros países. Por aqui a espera foi maior para as mudanças musicais, de comportamento e outras. Pós copa do mundo do México, do “Brasil ame-o ou deixe-o”, do “Eu te amo meu Brasil”. A letra ufanista dizia que “ninguém segura a juventude do Brasil” e, contradição da mensagem oficial, “eles” seguravam e muito não só a juventude como o resto do Brasil que queria um país livre.

Sair às ruas à noite era difícil e poucas as opções de divertimento, quando surge ali na Galeria Augusta, na rua Augusta, o Bar do Amorim, no ano de 1.971. Os bancos e mesas eram as caixas de cerveja, feitas de madeira. O ambiente era livre e sempre havia um violão à disposição. Era chegar e começar a tocar e cantar. Alguns já conhecidos e outros no início de carreira, Almir Guineto, Beth Carvalho, Djavan, Belchior, Carlinhos Vergueiro, Zeca Pagodinho, Jorge Aragão, Roberto Ribeiro, Originais do Samba. O nosso amigo Oswaldinho Viana, um aplicado estudante de arquitetura, deu ali os “primeiros passos”, digo acordes com sua viola e voz. A musica venceu.

Foi o primeiro bar em São Paulo com essa característica despojada, o primeiro “barzinho”. Freqüentado pelos estudantes que não tinham grana para as boates e pela oportunidade de se encontrarem em um local com mais “liberdade”.

Históricas casas noturnas como O Jogral, Igrejinha e o Beco eram também espaço para os músicos e artistas, mas com um público totalmente oposto. O Amorim, também um excelente musico e cantor, dava oportunidade para outras manifestações artísticas, promovia exposições de quadros, abria espaço para poetas e escritores.

O Amorim foi preso algumas vezes para explicar o que ele estava promovendo em seu bar, o porque de tanta gente que enchia a galeria e uma parte da Rua Augusta. “Eles” implicavam com a alegria e a felicidade da juventude do Brasil.

O Bar do Amorim funcionou até o ano de 1.979. Está na história recente de São Paulo, abriu as portas para muitos artistas, “abriu a cabeça” de muita gente, abriu espaços para os “barzinhos” de Sampa.

O Amorim possui hoje um bar no Bexiga, enfrente à quadra da Vai Vai. Dentro de mais alguns dias poderemos ouvi-lo tocar e cantar em um novo bar musical também ali no Bexiga. Parceria com o Oswaldinho Viana, aquele que começou lá no Bar do Amorim da Galeria da Augusta nos anos setenta do século que passou.

Amorim em recente canja no Bar do Julinho, ali na Mourato Coelho



3 comentários:

  1. Afonso Neto disse...:

    Grande Amorim quanto tempo não ouvia falar desse velho guerreiro !!!! em breve estarei visitando o 2 santo bar musical !!!! grande abraço parebéns pela matéria Bons tempos !!!

  1. Anônimo disse...:

    No Amorim conheci grandes amigos, grandes amores, tomei grandes porres, sobrevivi. E tenho saudades.

  1. Uau! Eu sou privilegiada! Frequentadora nos anos 1975/80 com os irmãos José Roberto e Babá, mais os amigos Izaura, , Edgard, , Marlene, , Monica, nossa! Muitas noites e manhãs acontecidas na galeria!

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