Ni hao?

Ni hao com vocês?. Viver em São Paulo, a capital mundial de todas as raças, é um belíssimo exercício de aprendizagem da cultura, sem exagero, de todos os países. As comunidades antes se concentravam em alguns bairros, o da Liberdade o mais conhecido, Bom Retiro, Bixiga, Mooca e hoje é difícil uma identificação local, estão em toda a cidade. Nos últimos anos a forte presença dos chineses e coreanos no comércio de roupas, de eletrônicos e populares mudou bastante a “cara” da Vinte e Cinco, do Brás, do Bom Retiro e da Santa Efigênia.

Na região da Paulista, a “mais paulistana das avenidas”, no comércio de eletrônicos os chineses e coreanos estão presentes. Em alguns restaurantes da Liberdade, os tradicionais, é imperativo ir acompanhado de um tradutor. E como identificá-los?. Entrei numa manhã em uma loja, vi a senhora do outro lado do balcão, me animei e soltei um animado Ohayo !!. Ela não respondeu, imaginei que a pronuncia não foi a melhor ou que não tinha ouvido, repeti e nada de reação. Na terceira vez ela respondeu “educadamente”: “Sou coreana”. Eu que pensava estar agradando com o meu bom dia em japonês.

Por motivos profissionais e nas horas vagas para caminhar por São Paulo tenho tido um contato com os chineses, o que faz com conheça três ou quatro palavras e expressões já me achando apto a um diálogo. Estava em uma feira de material de construção com a Kátya Teixeira, a Musa quando ao passar em frente ao estande de uma empresa chinesa falei um singelo e desprentensioso “Ni hao” para a expositora que de imediato se levantou toda animada com um pacote de prospectos e falando chinês sem parar. Nao sabia o que fazer, como dizer a ela que só quis demonstrar a cordialidade brasileira com um simples “tudo bem?” e não era o executivo bilíngüe que ela imaginava?. A Kátya Teixeira, a Musa afastou-se e ria, ria muito com a minha indescritível situação (continua lembrando sempre e rindo, rindo muito).

No estande russo ao receber o folder do expositor foi um rápido “spaciba”, achei melhor. Também sei convidar para tomar uma vodka ou café em russo e imagina se ele aceitasse?. Seria muita emoção para a Kátya Teixeira, a Musa em apenas uma tarde visitando uma feira. Outra dificuldade é ser muito sutil a diferença de pronuncia de uma palavra, que muda a depender da região de origem. Imagino ser como aqui no Brasil, com as diferenças marcantes de sotaque e quem conhece Olinda e ouviu as explicações históricas dos garotos cicerones só entende o final quando contam a origem do nome “oh linda condição para se criar uma cidade”.

O Miguel, com três meses de Brasil e de São Paulo, vindo lá de Traz os Montes, garçon do Cantinho do Ipiranga, foi conhecer o Bar do Seu João, natural da Ilha da Madeira. Seu João diz que não é portugues "sou da Ilha da Madeira". Depois de “tomar algumas frias” acompanhadas de porções de calabresa na chapa preparadas pelo patrício, de trocas de informações, de uma dose da autêntica bagaceira o "gajo" disse ser hora de ir embora pois já estava ficando ”meio grosso”.

O que pode ser mais ser tão paulistano?.

De minha parte quero dizer a vocês “xie xie” e “zai jian”.


Serviço:

ni hao: tudo bem?

spaciba: obrigado

tomar algumas frias: tomar algumas cervejas

ficar meio grosso: ficar meio de fogo, meio chapado

Xie xie: obrigado

zai jian: tchau.



2 comentários:

  1. Joca disse...:

    ZéMaria, Guru do Ser-tão, memorialista do ser-tão e agora poliglota do ser-tão! Olêêê!
    Grande abraço!

  1. kátya disse...:

    O Zé tem histórias pra um livro ao menos das suas peripecias linguisticas, não te lembras de conversar tb em alemão e inglês...rsrsr
    bjokas
    sou fã do blog e de vcs
    Kátya Teixeira

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