"...êsse Centrão-Sertão, Ser-tão Centrão de dentro de mim..."

Largo do Café, por Edu Ikeda


" E sempre lindo andar na cidade de São Paulo, o clima engana, a vida é grana em São Paulo" na Rua do Tesouro dos bancários, corretores das Bolsas, secretárias, altos executivos, boys, cartorários, funcionários públicos de diversos órgãos transferidos para a região, alunos das Faculdades, "a japonesa loura, a nordestina moura, gatinhas punks, um jeito yankee de São Paulo" turistas de outras cidades e países saindo da emocionante exposição de trabalhos do Aleijadinho no Centro Cultural Banco do Brasil, o artista de rua, que usa os seus "quinze minutos de fama", após gravar participação em um programa de humor do Dedé Santana, para fazer fazer o seu show, o camelô, "camelô, êsse dono da calçada, de conversa bem jogada vende a quem não quer comprar, se tivesse tido a chance de uma escola muita gente de cartola lhe daria seu lugar, êle é vesgo pois a profissão ensina a ter um olho na esquina e outro no olho do freguês, assim, de vez em quando ele escapa, gozando a cara do rapa".

Rua do Tesouro na hora do almoço, no elegante e luxuoso restaurante da Bolsa de Valores, nos diversos "por quilo", no sanduiche de calabresa ou salsicha na "portinha" de mais de quarenta anos no Largo do Café, no "falam bem ou falam mal, mas sempre falam de mim" churrasquinho grego.

"Não vá se incomodar com a fauna urbana de São Paulo" pensa a deficiente visual caminhando pela rua do Tesouro, dando "encontrôes" e procurando se desviar de pessoas que não a "enxergam". No meio do Largo do Café um deficiente visual, parado como se estivesse perdido, "olhando" para os lados. A deficiente caminha direto ao seu encontro e, quando todos esperam um acidente, ela dá um rápido toque no chão com a sua bengala, êle sorri, entendedo a "mensagem secreta", responde também com um leve toque com a sua bengala, ela sorri, se cumprimentam, se beijam e saem de mãos dadas pela Rua São Bento.

Largo São Bento, por Edu Ikeda


Dedicado à nossa Editora Chefe, incentivadora,criadora e mentora deste sitio, sempre vigilante e cobradora dos seus “irresponsáveis” colaboradores. Entre as suas “buscas e procuras”, entre as teses de Doutorado, entre os textos sempre provocativos e inteligentes encontra tempo para nos oferecer, privilegiados amigos, belos momentos de alegria, juventude, companheirismo e amizade. “Muitos e muitos anos de vida” para “colher muitas flores no jardim da sua existência” (salve a cultura popular).
Grande beijo Fernanda.


"Vá, sua vida
Seu caminho é de paz e amor
A sua vida
é linda canção de amor
Abre seus braços e canta
A última esperança
A esperança divina
De amar em paz

Se todos fossem iguais a você
Que maravilha viver
Uma canção pelo ar
Uma mulher a cantar
Uma cidade a cantar
A sorrir, a cantar, a pedir
A beleza de amar
Como o sol, como a flor, como a luz
Amar sem mentir nem sofrer
Existiria a verdade
Verdade que ninguém Vê
Se todos fossem no mundo
Iguais a você"

Tom e Vinicius

Serviço: Citações de letras do Grupo Premeditando o Breque, o Premê, e Billy Branco .



3 comentários:

  1. Joca disse...:

    Olha, o Sertão tá dentro da gente. E amigo se guarda dentro do peito. Assim fala a canção...

    essa frase é por muito repetida, mas quando a gente sente no sincero, sempre vale a pena repetir.
    Meu amigo e cumpadi Zé, eita homi sabido! QUe bela homenage pra nossa Fernandinha, a qual assino com caneta de ôro!

  1. Um amigo me veio todo emocionado dia desses dizendo: olha, tenho um presente pra você. É, como é bom fazer 31 anos, eu pensei, curtindo a expectativa de um cd, ou de um livro, talvez uma peça de roupa.

    “Olha só que presente lindo, veja se você não concorda comigo: hoje eu fui lá pro centrão, ver minhas coisinhas e, claro, curtir um pouco, tomar minha cervejinha. Estava nessa quando avisto, lá no meio do Largo do Café um homem cego com sua bengala. Eu fiquei pensando no porque ele estava lá, parado, que talvez ele estivesse precisando de ajuda ou coisa parecida, talvez ele quisesse ir para algum lugar e talvez não soubesse como. Ou nada disso, conclui depois. Mas olha só, veja se não é mesmo um belo presente. Do outro lado, levando sua bengalinha de um lado para o outro, na tentativa de evitar qualquer esbarrão, uma moça cega ia com passos tímidos. Caminhava ligeira, bem na direção do homem com sua bengala. E eu já estava imaginando o esbarrão, o encontrão e o desastre que seria aquele choque. Só que, antes de acontecer isso tudo que pensei, ela parou, deu um toquinho com a bengala. Então ele sorriu, respondeu com outro toquinho de bengala, deram as mãos e saíram namorando pela São Bento. Agora me diz, não é um presente lindo esse?”.

    Eu acenei com a cabeça confirmando. Deve ter sido mesmo uma imagem rara, um belo presente para os olhos do meu amigo. E vê-lo contar esta história de maneira tão esfuziante, tão viva, era meu presente. Meu amigo sabe que não há presente melhor para mim, do que a própria vida, do que estar no meio de pessoas tão vivas quanto este casal de cegos. Por isso ele fez questão de me contar. Por isso ele me deu estas imagens de presente. O que eu mais poderia dizer? Nada, pois só o sentimento de saber como é bom poder celebrar a vida pelos olhos dos outros, pelo olhar dos meus amigos, já me basta em comemoração aos meus 31 anos de vida.

    Acho que meu amigo quis contar esta história pro mundo, por isso estamos aqui. Ele contando a versão dele, e eu a minha (já que a versão dele foi dedica a mim, claro).

    Grande beijo José Maria.

  1. Iara disse...:

    Ei, Zé Maria!
    Delicioso seu texto recheado com Premê. Adoro esse grupo e ouço o LP que tem "São Paulo", na minha vitrolinha, sempre que posso. Êh trem bão, sô!!!!!

    Ah, se vc quiser publicar Bem-te-vizinho, agora pode. Ele não foi escolhido no concurso.

    Beijos

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