Lampião, o sertão e sua gente


Em: 18/10/2008, sábado
Horário: a partir das 14h
(A exibição acontece às 18h.)

Autor na Praça
Espaço Plínio Marcos - Tenda na Feira de Artes da Praça Benedito Calixto - Pinheiros
Tarde de autógrafos dos livros "Lampião, o sertão e sua gente" e "Lampião e as cabeças cortadas" com José Vieira Camelo Filho e Antônio Amaury Corrêa de Araújo
Informações: Edson Lima - 3746 6938 / 9586 5577 - oautornapraca@oautornapraca.com.br

No ano em que se completa 70 anos da morte de Lampião, Maria Bonita e mais nove companheiros do cangaço ocorrido na manhã de 28 de julho de 1938, numa emboscada que ficou conhecida como o "Massacre de Angico", em Poço Redondo-SE, o projeto O Autor na Praça, recebe no dia 18 de outubro José Vieira Camelo Filho, o Prof. Zuza, com o livro "Lampião, o sertão e sua gente" e Antônio Amaury Corrêa de Araújo, com o livro "Lampião e as cabeças cortadas", co-autoria com Luiz Ruben Bonfim. Na ocasião o Museu da Voz apresenta uma edição limitada de CDs com músicas, depoimentos e uma suposta entrevista de Lampião (incorporado por Jaci Alves da Silva, em uma sessão espírita em agosto de 1991) para o jornalista Luiz Ernesto Kawall. Contaremos com a participação especial do ator, palhaço e diretor Alessandro Azevedo, com uma intervenção personificando Lampião acompanhado de Maria Bonita e o ator Militão Rodrigues, apresentando trecho do monólogo "Lampião, o cangaceiro capitão": O cartunista Junior Lopes marca presença realizando caricaturas do público. Saiba mais sobre Lampião no sítio oficial.


OS CONVIDADOS

* José Vieira Camelo Filho, que assina Zuza Vieira Camelo, nasceu em 14 de junho de 1952, no Ingongo, Fazenda Gameleira, Distrito do Espírito Santo, município de São João do Piauí-PI. É pesquisador do Rio São Francisco, professor da E. E. Prof. Emygdio de Barros, Pós-Doutor em Políticas Públicas, Doutor em Economia, Especialização em Economia do Trabalho e Sindicalismo pela Unicamp. Mestre em História, Bacharel em Ciências Sociais, Geografia e Licenciatura em Geografia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo-PUC/SP. No Pós-Doutorado, elaborou uma pesquisa a respeito do Rio São Francisco e do seu Vale. No Doutorado teve como objeto de estudo as estradas de ferro do Nordeste e para realização do Mestrado desenvolveu uma pesquisou acerca do cangaço. É autor do livro Espírito Santo: um pontinho do Brasil que não pode ser apagado, Edições Pulsar, 2001.

* Antônio Amaury Corrêa de Araújo, um dos maiores pesquisadores da vida de Lampião e da história do cangaço, Há 60 anos em busca de informações sobre o assunto realizou mais de 6.000 entrevistas (com pessoas da sociedade, do cangaço e das forças policiais da época e familiares remanescentes). Suas pesquisas minuciosas, diretas, imparciais, fazem-no um autêntico mestre, criterioso e honesto. Nos anos 70, tornou-se conhecido em todo o Brasil ao participar do "Programa 8 ou 800", da TV Globo, respondendo sobre o assunto. Amaury tem vários livros publicados sobre o assunto, entre eles: Lampião: Segredos e Confidências do Tempo do Cangaço, Assim Morreu Lampião, Lampião: As Mulheres e o Cangaço, Gente de Lampião: Dada e Corisco, Gente de Lampião: Sila e Zé Sereno, De Virgolino a Lampião e O Espinho do Quipá, ambos em co-autoria com Vera Ferreira, neta de Lampião, Lampião e Maria Fumaça, co-autoria com Luiz Ruben F. de A. Bonfim e A Medicina e o Cangaço em co-autoria com Leandro Cardoso Fernandes.

OS LIVROS

Lampião, o Sertão e sua Gente

Nesta edição, ampliada e atualizada, o autor apresenta todo um contexto social para o surgimento do cangaço e seu principal representante: Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião. No livro o Prof. Zuza, geógrafo, cientista social e pesquisador participante (de campo), traça um paralelo sobre como a questão social e a disputa por um espaço de chão influenciaram no surgimento das revoltas populares, de grupos e líderes que buscaram maneiras de estabelecer um poder paralelo, em contraponto ao governo constituído, que não cumpria seu papel de manter a estabilidade e, principalmente, a justiça social.


Lampião e as cabeças cortadas

Mais novo livro sobre a temática do cangaço escrito por Amury Corrêa e Luiz Ruben Bonfim, pesquisador do cangaço a mais de 50 anos. Ótimo Levantamento, apontando os vários aspectos que se relacionam as cabeças cortadas dos cangaceiros.

AS INTERVENÇÕES

* Alessandro Azevedo nasceu em Puxinanã-PB, em 23/07/68, é ator, palhaço, produtor e diretor. Iniciou carreira no teatro em Campina Grande. Em 91, tomou o rumo de São Paulo, para fazer cursos no CPT (Centro de Pesquisa Teatral), de Antunes Filho. Depois, criou o Palhaço Melão e fez espetáculos de rua. Em 96, criou outro palhaço, o Charles, que animava Saraus em espaços abertos. Em 2000, os Saraus do Charles ganharam maior freqüência. Alessandro fundou, com parceiros, o Raso da Catarina (espaço teatral localizado na Vila Madalena). Como não poderia deixar de ser, a primeira peça montada no novo espaço foi "Lampião Vai ao Inferno Buscar Maria Bonita", com base em entrevista concedida por Virgulino Ferreira, em 1926, a um jornal, Alessandro e Dani Carmona criaram a peça "O Amanhecer de Lampião", para dois personagens (Lampião e Maria Bonita) e um sanfoneiro. O primeiro contato do ator com o cinema se deu na minissérie O Cangaceiro, de Aníbal Massaíni. Depois, atuou em Sonhos Tropicais, de André Sturm; Narradores de Javé, de Eliane Caffé e Contra Todos, de Roberto Moreira. Em Garotas do ABC - Aurélia Schwarzenega interpreta Maleita, um "justiceiro de periferia". Atualmente com outros parceiros faz uma gestão coletiva do Teatro da Vila.

O MONÓLOGO

Militão Rodrigues e o monólogo "Lampião, o cangaceiro capitão" - Grupo Filhos de Maria Gorete - história da vida de Lampião desde sua infância: os sofrimentos da família, a morte dos pais assassinados "pelos macacos" (policiais), a entrada no cangaço, os principais combates, a fé em Deus e em padre Cícero, e seu amor por Maria Bonita, as alegrias e tristeza enfrentadas no sertão nordestino. O texto é falado por um personagem, que ao final da narrativa, descobrimos ser um ex cangaceiro, soldado fiel a Lampião. Outros trabalhos de Militão: O Beijo no asfalto de Nelson Rodrigues, Theckoviando - Três contos de Theckov, O Pedido de Casamento, O urso e O Jubileu e O Auto da Compadecida.

CD MUSICAL

Cd "A Voz de Lampião" com músicas, depoimentos e entrevista de Lampião a Sucuri.
Traz até a faixa 23 Entrevista de Lampião (incorporado em sessão espírita), Narração: "Os cangaceiros e suas músicas", "A história do cangaceiro Volta Seca (Antonio dos Santos)"; Volta Seca narra: "A Música no Cangaço"; Volta Sêca canta: "Meus olhos eram dois rios que não lhe davam passagem...", "Lampião diz que é valente...", "Acorda Maria Bonita", "Mulher Rendeira", trilha sobre o cangaço: "Se entrega corisco"; Luiz Gonzaga narra a passagem de Lampião por sua cidade quando era garoto, Luiz Gonzaga canta música sobre o cangaço.

Sobre a entrevista - obtida em sessão espírita realizada em 10 de agosto de 1991 em Cuiabá-MS. Estavam presentes Jaci Alves da Silva, 27 (moço/Lampião) funcionário público, Luiz Ernesto Kawall (Sucuri), jornalista e memorialista, Nelzita França da Silva Pereira, mãe do santo da linha Umbandista e outras 3 pessoas. Lampião (incorporado em Jaci) chegou falando alto, estava de jeans e camiseta, após sessão em sala contígua, a qual, segundo vi, recebia passes de D. Nelzita. Amarrou a ponta esquerda de sua blusa em minha camisa, sentou-se ao centro de uma mesa, perguntou o que era aquela geringonça (o gravador), colocou óculos pretos, deu uns socos na mesa e começou a responder as minhas perguntas e das outras pessoas. Fumava cachimbo. Respondeu a tudo que perguntei, cantou "Maria Bonita" e outras músicas, pediu comida, deu socos na mesa contou piadas. Disse que não permitiria fotógrafo nem televisão, só quando estivesse fardado. Ao final, ficou bravo com mina saída (só tinha levado uma fita) e quis que eu saísse com ele, pra passar a noite conversando e bebendo e com as "meninas". Disse, fora da gravação, que está bem onde está, vê tudo, e que esta vida em que estou, é passagem - contou sua entrada no cangaço, por causa da morte de seu irmão (briga de vizinhos). As outras 3 pessoas são: o rapaz do gravador, Marco Antônio (estudante), Maria Alice Meireles dentista e artista plástica) e Terezinha Arruda (professora universitária, ex-secretária do Departamento de Cultura da Prefeitura). Fiz a entrevista com interesse em conseguir mais uma gravação, de vulto histórico brasileiro; Católico, não acredito em reencarnação. Mas atesto aqui, com isenção de repórter de 40 anos de imprensa, nunca desmentido, a veracidade do testemunho e da própria gravação, que realizei, repito, para o Museu da Voz. Lampião disse conhecer Amorim Filho e elogiou seu trabalho na Rádio Bandeirantes. Durante a entrevista, às vezes, Lampião tirava os óculos. Sua vista direita parecia vazada, isto é, estava recolhida e purgava; seria... Seu olho cego? Ao final, Lampião mandou dizer a Amorim Filho para enviar perguntas, quer... dar novas respostas ao seu programa "Nas Quebradas do Sertão". Na 1ª vez, estive lá e fui entrevistado. Depois desse programa, Expedito Duarte, irmão de Amorim Filho, foi tomar café no bar de esquina, e o dono do bar, disse não acreditar na gravação. De imediato, num copo de água, que estava no balcão, "estourou", e todos no bar ficaram estupefatos! Um ex-cangaceiro, Pirilampo, telefonou ao Amorim nesse dia, e disse que o que Lampião disse era isso mesmo e a voz dele, igual à de Lampião. "Acredite se quiser"... o Cd foi organizado pela Vídeo Vozoteca LEK (fundada em 10/06/89).



2 comentários:

  1. José Maria disse...:

    Poucos na nossa história podem ser-tâo brasileiros como Lampião. Com pouca diferença as condições impostas pelos poderosos, donos do poder e da “verdade” permanecem até hoje. Os livros de história do Brasil, sempre mostraram a versão das elites ultrapassadas, que continuam, até hoje, acreditando na ignorância do povo para a sua permanência no mundo obscuro das traquinagens. O Lampião que foi nos mostrado, como um cruel vingativo, principalmente pelo cinema, precisa ter o seu valor reconhecido como um brasileiro que não aceitou a morte de seus familiares para abaixar a cabeça e aceitar a expulsão de sua terra. O filme Baile Perfumado mostra o Lampião, com a história real de um cineasta da época, não como um cangaceiro violento e sim um brasileiro à em defesa de uma sociedade justa. Tive a enorme emoção de conhecer Sila, uma sobrevivente do massacre e Expedita, filha de Lampião. Ser-tão paulistano é valorizar os nossos heróis dos sertões do Brasil.

  1. Joca disse...:

    faço coro ao ZéMaria, versado e doutorado nas brasilidades. A verdade é que o cangaceirismo (que também pode ser concebido como um meio de vida, o "cangaço") apesar das múltiplas facetas com que é mostrado no cinema ou mesma na Literatura, poucas vezes se mostrou verdadeiro. Dentre todos os pesquisadores que já vi, o Amaury é o que mais se aproxima daquilo que significou (ou significa?) o "cangaço" para as gentes dos sertões onde reinou lampião - e antes dele muitos outros, o mais afamado de todos talvez tenha sido Sinhô Pereira.
    Na história e nas artes, o cangaceiro ora é o bandido desalmado ora apresentado sob forma de paródias. Mas no fundo de tudo isso, além do "herói" ou do "bandido" ou do personagem "burlesco" tem o vaqueiro, o sanfoneiro, o poeta e além de tudo, o homem que se rebelou radicalmente contra a injustiça que foio assassinato de seus pais, tudo começando "...pu causa d'uns chocaios..." segundo as palavras do próprio Virgulino.
    Joca ramiro, como humilde Prisnpe dos cangaceiros do Ser-tão Paulistano, lá estará, cavalgando o famoso Murzelo Alazão...

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